Agressividade no comportamento autista: e então, como lidar?
Irritação, gritos, birras intensas e agressividade. Se você é pai, mãe ou convive de perto com alguém que faça parte do TEA, sabe que esse que isso é bastante comum no comportamento autista. Essas crises, muitas vezes, chegam a tal ponto que a agressividade é voltada para si mesmo, ou seja, a própria criança vive os prejuízos da violência.
Além disso, a família pode sofrer dentro e fora de casa. Essas crises, quando em público, acentuam a probabilidade de que a resposta da sociedade seja negativa, afinal, ainda existe muita desinformação sobre o assunto.
Nosso artigo de hoje vem informar como e porque esse comportamento acontece com muitas crianças autistas. Afinal, ocorre com todos dentro do transtorno? É contornável? Que motivos podem estar por trás disso? Continue com a gente e saiba as respostas
Comportamento agressivo de um autista: de onde vem?
Existem alguns fatores no autismo que estão intimamente ligados à agressividade: a dificuldade na verbalização das ideias, inflexibilidade, rigidez e dificuldade de adaptação a mudanças, muita demanda social e e a alta sensibilidade a cores, sons, cheiros, etc. A agressividade pode começar quando a criança sente tantas coisas e tudo que ela consegue transmitir em gestos ou palavras lhe parece insuficiente. Assim também são as questões da sensibilidade, muitas vezes afetada pelas mudanças no ambiente que, para uma pessoa neurotípica, podem passar despercebidas.
Estudos norte-americanos apontaram que a incidência do comportamento agressivo atinge, pelo menos 1 em cada 4 crianças autistas. Também as mesmas pesquisas indicaram que crianças com baixo quociente de inteligência estão mais propensas a terem as crises nervosas.
É importante consultar médicos, terapeutas, psicólogos e outros especialistas para entender a fundo o que vem ocorrendo com aquela criança ou adolescente. Assim, você poderá oferecer tratamento e alívio a essa característica no comportamento autista.
O que fazer em caso de agressividade?
Você provavelmente não poderá controlar quando essas crises vão acontecer, o que é possível é tentar identificar fatores que são gatilhos para as crises de ansiedade, porém quando a agressividade é inevitável, é totalmente possível gerenciar o comportamento agressivo quando ele ocorrer.
Antes de tudo, mantenha a calma
As explosões acontecem porque o autista está com dificuldade de autorregulação das emoções, sem que ele consiga se expressar de uma forma que funcione para as duas partes. Sabendo controlar os suas próprias emoções, você impede que o seu nervosismo seja somado à situação, o que só piora o momento.
Lembre-se que seu filho ou filha, que normalmente já tem dificuldade de entender o que você diz, terá esse discernimento prejudicado em função dos prejuízos de controle inibitório e autorregulação. Nesse caso, seja objetivo e utilize frases curtas. Por exemplo: em vez de dizer “filho, fique quieto e sente-se”, diga apenas “sente-se”.
Por segurança, leve a criança para longe de um espaço que ofereça perigo, como prateleiras cheias de objetos ou locais com vidro. Também será preciso que as pessoas que estejam por perto se afastem do caminho. Se você possui um lugar na casa que naturalmente seja ligado à paz e à tranquilidade, leve a criança ou adolescente para lá.
Cuidado com o uso da força física
Tanto para crianças autistas quanto para crianças neurotípicas, o uso da força física pelos pais é um assunto que gera controvérsias. Mas os especialistas alertam que isso pode gerar ainda mais ansiedade no autista. A indicação é que é sempre preferível que você, como responsável, utilize de formas positivas de conter a explosão. Experimente, talvez, ficar abraçado(a) à criança por um período maior.
Ensine a comunicação alternativa
Uma das formas de ensinar ao autista que a agressão – seja em si, nas coisas ou nos outros – não é a melhor forma de transmitir uma ideia é usar uma forma de comunicação alternativa. Há vários exemplos: de pulseiras iconográficas a sistemas de trocas de imagens, passando até por aplicativos de celular.
A comunicação alternativa é uma estratégia de longo prazo, mas que pode trazer muitos benefícios não apenas para impedir a agressividade como para melhorar o desempenho do autista como um todo.
Por isso, compartilhe este conteúdo com quem você conhece. E, para saber mais sobre o autismo do ponto de vista de quem sabe do assunto, coloque o Pais Atípicos e Extraordinários entre os seus favoritos.
Referências a este artigo:
Dra. Fabrícia Signorelli Galeti
Psiquiatra especialista em TEA – CRM 113405-S
Referências bibliográficas
Neuro Saber
Spectrum News
Raising Children Australia
Autism Speaks
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